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terça-feira, dezembro 29, 2009

Falar do que entao?

Eu poderia esta noite
escrever os versos mais tristes
mas entao seria neruda

Eu poderia ser exagerado
jogados aos teus pés
e entao serai cazuza

Falaria as mais feias
da fundamental beleza
mas isso seria vinicius

escrever sobre ceus
infernos e abismos
seria como Dante uma dia fez

se o que sou basta
e sem ser muito
sou ja o bastante
ainda que em meu semblante
reine a paz dos anormais
ainda brindo meus amigos
os proximos e os distantes
brindo amores acontecidos
esquecidos
adormecidos
mesquinhos
e ate os inglorios
me gabo das traiçoes
me escondo em meus armarios
de portas trancadas
cabeça erguida e perdida
barba mal-feita
olhar meio caido
peito nu sob o frio do inverno
la fora a branca neve
cobre tudo mansamente
e aqui, dentro de meu reino
apenas a sincera amargura
de nao ter mais o que sentir
cobre meus olhos
e minha boca
com o silencio de quem
ja morreu